A História de Petworth House
A Petworth House é uma imponente mansão de campo do final do século XVII, classificada como Grade I, situada na paróquia de Petworth, em West Sussex, na Inglaterra. A estrutura atual foi erguida em 1688 por Charles Seymour, o 6º Duque de Somerset, substituindo uma antiga casa senhorial e sendo concebida para refletir as grandes ambições arquitetónicas da época. Durante muitas gerações, esta residência serviu como o refúgio ao sul da prestigiada família Percy, os condes de Northumberland.
A propriedade atravessou séculos de história, passando pelas mãos de várias famílias proeminentes, incluindo a família Wyndham. Em 1947, Charles Wyndham, o 3.º Barão Leconfield, entregou a casa à nação. Desde então, o património é gerido pelo National Trust como Petworth House & Park. A mansão permanece como um local de importância fundamental para a preservação das coleções artísticas reunidas pelos seus antigos residentes.
A Arquitetura e o Estilo Construtivo
A estrutura atual da Petworth House é um legítimo fruto do final do século XVII, tendo sido reconstruída entre os anos de 1688 e 1702. Concebida sob a égide do estilo Barroco, a residência buscou inspiração na grandiosidade dos palácios europeus, privilegiando o rigor da ordem e a harmonia da simetria. Este caráter arquitetônico é profundamente acentuado pelas intrincadas talhas em madeira de Grinling Gibbons, cujas obras permanecem elegantemente integradas à própria essência do interior. Ao longo dos anos, a casa também passou por transformações significativas durante a década de 1870, sob a direção cuidadosa do arquiteto Anthony Salvin.
Os espaços interiores revelam uma fascinante tapeçaria de períodos de desenvolvimento e refinamento arquitetônico. A North Gallery, por exemplo, foi integrada à residência entre 1824 e 1825, conferindo nova dimensão ao imóvel. Já no Saloon, o chão é adornado por um tapete Axminster que ostenta um design exclusivo de Robert Adam. Todos estes elementos convergem para compor a história estratificada deste edifício, onde as fundações Barrocas encontram-se com as subsequentes e sofisticadas adições dos períodos Vitoriano e Regência.
A Grandiosa Coleção de Arte
A coleção abrange obras de belas artes que atravessam vários séculos, preservadas dentro da Petworth House em seu contexto original. Este tesouro inclui retratos significativos e obras de diversos gêneros, desde o retrato formal até paisagens evocativas. Tais acervos estão intrinsecamente integrados ao tecido arquitetônico das salas, contribuindo para o caráter estabelecido e a alma dos espaços interiores.
Os grandiosos salões de estado abrigam obras de mestres como Anthony van Dyck, J. M. W. Turner, Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough. A seleção é enriquecida por pinturas de Titian e William Blake, ao lado de trabalhos de John Constable. Estas peças permanecem, em grande parte, nas mesmas salas onde outrora foram exibidas, coexistindo com o mobiliário e os objetos decorativos que as acompanharam através dos tempos.
- The Right Honourable George Grenville, 1767 - Joshua Reynolds
- Macbeth and the Witches, 1786 - Joshua Reynolds
- A Vision of the Last Judgment, 1808 - William Blake
- Cattle at a Fountain, 1786 - Thomas Gainsborough
- Jessica, 1828 - J. M. W. Turner
- An Unknown Cardinal, 1545 - Titian
O Esplendor das Obras-Primas da Coleção
A magnífica reunião de pinturas que habita a Petworth House é um testemunho vivo do mecenato secular das famílias Northumberland e Seymour/Somerset. A alma da casa é enriquecida por retratos de uma importância histórica imensa, como os de Anthony van Dyck, cujas pinceladas se fundem com a própria arquitetura dos salões, apresentando figuras imponentes como o Rei Carlos I a cavalo e a distinta Lady Dorothy Percy. Estas obras não são meros objetos de contemplação, mas elementos que permanecem no seu contexto original, preservados em harmonia com o mobiliário e os objetos decorativos que outrora as acompanharam, mantendo viva a atmosfera de uma era passada. A presença de mestres como Titian também se faz sentir, através de obras enigmáticas como um cardeal desconhecido e um homem desconhecido com um chapéu de penas pretas.
A tradição da paisagem e da arte figurativa encontra aqui o seu ápice através de nomes fundamentais da história da arte. A obra Rocky Wooded Landscape with Rustic Lovers by a Pool, de Thomas Gainsborough, pintada entre 1774 e 1777, foi uma aquisição preciosa do 3.º conde de Egremont. A luz e a atmosfera das paisagens de J. M. W. Turner também encontram refúgio nestas paredes, muitas das quais foram inspiradas pelas vistas deslumbrantes do parque circundante. A coleção é ainda enriquecida pelo talento de Joshua Reynolds, que legou vários retratos ao acervo, incluindo as evocativas obras Macbeth and the Witches e Charity. Para completar este mosaico de genialidade, a coleção abriga a visão mística de William Blake, exemplificada pela poderosa A Vision of the Last Judgment.
- The Right Honourable George Grenville, 1767 - Joshua Reynolds
- Cattle at a Fountain, 1786 - Thomas Gainsborough
- Jessica, 1828 - J. M. W. Turner
- A Scene from 'The Wife of Bath's Tale', 1812 - Henry Fuseli
O Expansivo Parque de Cervos
O vasto parque de 700 acres que envolve a Petworth House foi meticulosamente desenhado pelo célebre paisagista Capability Brown. Esta paisagem, de uma beleza serena, foi posteriormente imortalizada através do olhar magistral das pinturas de J. M. W. Turner. O terreno abriga ainda um jardim de bosque de 12 acres, conhecido como Pleasure Ground, um refúgio de tranquilidade onde os visitantes podem descobrir a elegância de um templo dórico e a harmonia de uma rotunda iónica.
Pelas extensões deste parque, passeia uma numerosa manada de cervos-fallow, com mais de 700 exemplares a habitar a propriedade. A presença destes animais, movendo-se livremente pela natureza, permanece como um elemento central e vivo da paisagem de Petworth.
